segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Coro Coro: Montanha de cobre a serviço do povo boliviano

Criação de nova empresa estatal alavanca crescimento com soberania

Leonardo Wexell Severo, de Coro Coro, Bolívia

A cerca de 100 quilômetros de La Paz, em pleno altiplano andino, está localizada Coro Coro, cidade mineira que se confunde com a própria história da Bolívia. Grande produtora de cobre, originalmente denominada Kori Kori Pata “montanha de ouro” ou ocororo “ouro baixo”, chegou a contar com quatro jornais e superar a capital, La Paz, em número de habitantes.
Resultado das políticas neoliberais que devastaram o país vizinho, o local onde se produzia sulfato de cobre foi fechado em 1985 e os mineiros desempregados, com o município praticamente transformado em cidade fantasma.
A reversão da tragédia começa em 2009, com o anúncio da reativação do distrito mineiro pelo presidente Evo Morales, e a entrada em operação, em 26 de outubro de 2010, da primeira planta produtora de cátodos de cobre da Bolívia, explicou o sociólogo Porfírio Cochi, nascido na localidade. “Coro Coro tinha a sua própria moeda e chegou a ser capital do Estado de Antofagasta, território que perdemos para o Chile. Abandonada, não tinha sequer estradas e uma viagem até La Paz chegava a durar oito horas em caminhão. Além de elevar a auto-estima, a retomada da produção abre enormes perspectivas para o desenvolvimento boliviano”, avaliou.

domingo, 12 de outubro de 2014

Evo reeleito: 'Pátria sim, colônia não!'

Presidente boliviano supera os 60% e governará até 2020

Por Leonardo Severo e Felipe Bianchi, de La Paz


“Irmãos e irmãs, obrigado pelo novo triunfo. Seguimos crescendo nesta sétima vitória, com mais de 60% dos votos [O principal opositor de Evo, Samuel Doria Medina, obteve cerca de 25%]. Este é um triunfo dos anticapitalistas e dos anticolonialistas contra o império norte-americano”, afirmou o presidente reeleito da Bolívia, Evo Morales, saudando a multidão concentrada em frente ao Palácio Quemado na noite deste domingo (12).

Bolivianos vão às urnas, exaltam democracia e repudiam boato de atentado contra Evo Morales

“Há 32 anos, derrotamos uma longa ditadura. Hoje, digo aos jovens que sejam vigilantes desse novo tempo e protagonistas da vida cidadã em nosso país”. Foi com essa afirmação que Wilma Velasco, presidente do Tribunal Supremo Eleitoral (TER) boliviano, inaugurou oficialmente as eleições gerais de 2014. A cerimônia ocorreu na manhã do domingo (12) e contou com a participação do vice-presidente do país, Álvaro García Linera.
Por Felipe Bianchi e Mônica Fonseca Severo, de La Paz


Algumas horas mais tarde, no colégio Agustín Aspiazu, o candidato à reeleição pelo Movimiento Al Socialismo (MAS) falou à imprensa, logo após cumprir com o ato do voto. Linera convocou os bolivianos a participarem do processo “com alegria, entusiasmo e responsabilidade, pois o voto define a pátria que queremos”.

Álvaro García Linera exibe 'papeleta' antes
de despositá-la em urna
“Quando a Bolívia está unida, ninguém nos para”, afirmou Linera. “Quando estamos divididos, todos se aproveitam de nossas debilidades, mas com um governo forte e uma sociedade mobilizada, o país se levanta”, complementou.

“Nossa querida Bolívia, que por tanto tempo foi maltratada e aparecia como o país mais pobre do continente, agora, aparece como um modelo de democracia, de economia, de Estado e de sociedade”, destacou. “Eu confio que os bolivianos, hoje, continuarão a validar esse otimismo e liderança da Bolívia na região”.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Bolívia: “Aqueles que roubavam nossas terras não vão voltar”

“Sou uma árvore e o meu dever é proteger meus frutos. Mataram meus filhos, a meus netos não matarão. É meu dever brigar”, declarou Brígida Bilca, vendedora de empanadas.

Por Mônica Fonseca Severo, de La Paz
Para compreender o que se passa no vizinho andino, nossa equipe conversou com diversos personagens, em distintos momentos de nossa estadia na Bolívia. A despeito da dificuldade de diálogo, visto que o primeiro idioma da maioria da população não é o espanhol, a vontade de comunicar-se sempre falou mais alto.

Brígida Bilca, 55 anos, vendedora ambulante de empanadas, explicou porque, a seu ver, Evo Morales será reeleito neste domingo, 12 de outubro. “Evo descende dos homens de pedra, por isso é garantido para o mundo. Eu também sou descendente dos homens de pedra e, por isso, não posso duvidar dele. Antes dele, eram os padres e os brancos que mandavam,  faziam um irmão matar o outro. Evo nos salvou deste massacre”.  Homens de pedra é a tradução para o espanhol da expressão em aymara que designa os descendentes da civilização Tiahuanaco, provavelmente a mais antiga do mundo. Brígida ressalta a identificação cultural do presidente com a maioria da população, já que 80% dos bolivianos se identificam como aymaras, quéchuas ou guaranis. Com relação à expressão ‘irmão que mata irmão’, Brígida se refere a confrontos entre populares e forças armadas, constituída por bolivianos.

Na Bolívia, possível vitória da direita brasileira é vista como 'desastre continental'

Protagonistas no governo de Evo Morales, movimentos sociais bolivianos preocupam-se com o país vizinho: “Aécio Neves seria um duro golpe na integração latino-americana”.


Por Felipe Bianchi dos Santos e Lidyane Ponciano (fotos), de La Paz

Valeria Silva: "Brasil é imprescindível para um mundo multipolar"
“Se perdermos o processo de mudanças sociais que existe no Brasil, perderemos muito em toda a América Latina”, decretou Valeria Silva, nesta sexta-feira (10), em La Paz, Bolívia. A historiadora, cientista política e representante da Generación Evo, “fenômeno” que tem agrupado de forma massiva a juventude engajada na transformação pelo qual passa a nação andina, avalia que “a volta do neoliberalismo significa o fim da soberania do povo brasileiro”. 

Conforme defende a jovem - Valéria tem 24 anos e concorre, nas eleições gerais de 2014, a uma vaga como deputada suplente pelo Movimiento al Socialismo (MAS) –, o Brasil é referência no continente pela sua incidência internacional. “O que acontece no país reflete em todos os vizinhos”, argumenta. “Hoje não temos presença ou ingerência estrangeira no Brasil, na Bolívia, na Venezuela, no Equador. Se o Brasil voltar a flertar com o imperialismo, o que fatalmente acontecerá caso a direita triunfe, tenham certeza de que tentarão derrubar a todos”.

“Hoje quem faz a lei na Bolívia não são mais o FMI e o Banco Mundial”

Afirmação é do professor Jorge Baldivieza Garcia, membro da executiva da Central Operária Boliviana (COB), em entrevista ao ComunicaSul.
Por Leonardo Severo, de La Paz
Fotos por Mônica Fonseca Severo


Símbolo de luta e resistência ao neoliberalismo, a Central Operária Boliviana (COB) vem tendo um papel de destaque na construção do processo revolucionário que vive o país andino, desde a vitória do presidente Evo Morales. Única representante dos trabalhadores do país, a COB tem dialogado com o governo a fim de garantir que as pautas do mundo do trabalho estejam cada vez mais presentes em todas as esferas da administração pública. Pelos reconhecidos avanços do último período – o salário mínimo teve um aumento real de 105% -, a Central fez uma aliança pela reeleição do presidente, que reconhece na COB e nos movimentos valorosos “companheiros da mudança”. Por sua parte, a entidade comemora a construção da Lei Geral do Trabalho, que irá surgir, porque “hoje quem faz a lei na Bolívia não são mais os assessores do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial”. Nesta entrevista, Jorge Baldivieza Garcia, membro da executiva nacional da COB, faz um pequeno resgate da luta da classe trabalhadora pela libertação nacional e dos novos desafios a partir da reeleição do presidente Evo Morales no próximo domingo, 12 de outubro.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Memória viva da guerrilha latino-americana contra os falsificadores da História

Efraín Quicanez Aguilar, mais conhecido como Negro José
Herói no anonimato, Negro José relata a exitosa fuga dos guerrilheiros de Che

Monica Fonseca Severo

Aos 84 anos de idade, Efraín Quicanez Aguilar, mais conhecido como Negro José, recebeu a equipe do Comunicasul em La Paz. Logo na chegada, uma análise sobre o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras. Emenda com análise de conjuntura da Bolívia, do embate eleitoral em curso, da luta anti-imperialista e do processo de transformação vivido nos últimos anos, com a chegada na presidência de Evo Morales.